180 – Cidades-satélites

Só não vê quem não quer – Entre os muitos preconceitos sobre Brasília, disseminados país afora, inclusive com a contribuição de jornalistas, um dos mais renitentes é aquele que considera as cidades-satélites o fim do mundo, território da miséria e da violência e do crack. Quase metade (46%) da população de Ceilândia tem imóvel próprio e quitado: 50% das famílias têm carro: 44,6% das casas têm três ou mais quartos: 42% delas têm computador, segundo pesquisa da Codeplan/2011. Vamos e venhamos, não são dados de favela. Não é necessário citar dados de Taguatinga ou do Guará, por serem reconhecidamente cidades de classe média e mais que média – no Guará há apartamentos de R$ 1 milhão. No Gama, por exemplo, cidade nasceu em 1960 para abrigar moradores de invasão, existem 6,5 mil empresas, incluído bancos, indústrias e faculdades. O vigoroso comércio da cidade inclui as Lojas Americanas, o Montana Grill, o Subway e a Marisa. Mais da metade das famílias tem carro, 51%; e 55% delas têm computador em casa. Assim como Ceilândia, Samambaia passou maus bocados no início da ocupação, tanto pela falta de infraestrutura quanto pela violência. A cidade mudou, virou a menina dos olhos do mercado imobiliário fora do Plano Piloto e, ainda assim, continua sento vítima de preconceito dos ilustrados do Plano Piloto e dos visitantes. Construída num magnífico platô, beneficiada com o metrô. Samambaia tem condomínios fechados da qualidade dos de Águas Claras – piscina, academia, área gourmet e tais. Para muitos brasilienses do Plano Piloto, Riacho Fundo 1 e 2 e Recanto das Emas são tudo a mesma coisa. Nascidas no começo dos anos 1990, em programa de assentamento do governo Roriz, as três cidade surgiram com a mesma precariedade das demais. Vinte e poucos anos depois, o Riacho Fundo 1 abriga ruas tranquilas bordejadas de casas de dois pavimentos jardinadas e avarandadas. Como em todas as satélites, os dois Riachos e o Recanto têm largas e diversificadas avenidas comerciais, que devolvem a Brasília uma das melhores qualidades das cidades convencionais a rua de antigamente. É certo que há bolsões de pobreza, como em todas as demais metrópoles brasileiras. Brasília não termina no final das asas. Ela se estende prá lá, prá cá e pra acolá em cidades-satélites com vida e personalidades próprias. (Conceição Freitas, Crônica da Cidade, Correio Braziliense /   3/8/1012).


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